Edith Derdyk

2010 - Dia um (silkscreen)

"(...) O livro e a linguagem que circulam em suas obras são quase coincidentes: o espaço de constituição e fruição de um é o mesmo da expressão do outro. Assim, caminha por uma de suas facetas-livro. Edith constrói com desmesura sígnica outras sintaxes do livro em suas andanças por esse território movediço. Seus critérios de criação se baseiam em práticas deslizantes por entre as gradações e brechas do códice, nas quais todos os componentes visuais, materiais, filosóficos, semânticos se estruturam de modo a proliferar significativamente outras tensões estruturais. São camadas cambiantes de uma lava em ebulição. Edith as articula, equaciona os seus choques e confluências, propondo “partituras coreográficas”, à sua maneira, regidas por uma gramática de procedimentos: corte, costura, dobra, cola, sobreposição, acúmulo. Revela, esconde, e enfim, transfigura. Esses recursos extraem e interrogam e reiteram lombada, páginas, textos, orelha, frontispício... nem a palavra escapa. E quando termina um livro, na acepção de Bachelard, reporta-se às esperanças que um dia o nutriam ao começá-lo. Daí toma fôlego, intervém e reconstitui aqui esses tantos inalcançáveis livros (?) propostos a reflexões inconstantes e reinventáveis, “como prática crítico-criativa, como metacriação, como ação sobre estruturas e eventos, como diálogo de signos, como um outro nas diferenças, como síntese e re-escritura da história” (PLAZA, 2003, p 209). Entre o que não aparta obra e processo, relato e matéria, mas prescreve algumas de suas designações, a biblioteca de Edith pluridimensiona-se veementemente exibindo suas citações. Sondar esse material magmático e os seus fragmentos é quase permitir que lhe queimem as mãos e os olhos. É um pouco perscrutar suas línguas. E pôr-se em vigília de passagens, fitando e serpenteando suas escrituras."

Galciani Neves, Ainda Livro

A noiteceu em mim 2014 Fundação Iberê Camargo curadoria Agnaldo Farias

Depositar, acumular, estocar, armazenar. Palavras que remetem a passagem do tempo, ao trabalho incessante do tempo que não se deixa fixar. Edith costura-registra o trabalho do tempo revelando os restos de uma passagem: resíduos, sedimentos, detritos, enfim, o que fica do que escapa. A linha transforma-se em matéria da ausência. O incessante movimento do depositar levado ao limite ameaça destruir a própria obra. A pergunta sobre o mínimo surge imperativa, necessária a própria continuidade da obra. Edith responde: os elementos mínimos são a linha e o espaço. Com a resposta um deslocamento se dá - a passagem da sutura que une ou junta partes separadas `a rasura que risca, raspa, cancela partes de um texto tornando-as ilegíveis.

Andrea Masagão, 

Da sutura à rasura: A costura de Edith Derdyk

Edith Derdyk fez o curso de Licenciatura em Artes Plásticas pela FAAP (1977/1980). 

Realizou inúmeros trabalhos gráficos como capas de livro, capas de disco e ilustrações (as capas realizadas em conjunto com o fotógrafo Gal Oppido para o grupo de música popular RUMO). 

Foram editados 2 audiovisuais com caráter de ensaio (fotos de Carlos Fadon e trilha original composta por Paulo Tatit). Estes foram exibidos entre 1982/1985 no MIS, Pinacoteca do Estado de São Paulo, Teatro Lira Paulistana, FAU e CCSP. 

Escreveu e ilustrou 3 livros infantis: Estória Sem Fimmm (Summus Editorial/1980), O Colecionador de Palavras e A Sombra da Sandra Assanhada(ambos editados pela Editora Salesianas / 1986 e 1987 respectivamente). Atualmente está coordenando a Coleção Siricutico com as canções do selo Palavra Cantada, editados pela Cosac&Naify. 

Foram publicados 2 livros teóricos de sua autoria: Formas de Pensar o Desenhoe O Desenho da Figura Humana, ambos editados pela Editora Scipione, 1988 e 1989 respectivamente. Lançou o livro Linha de Costura, pela Editora Iluminuras em 1997. Produziu o livro Vão (Edição Independente/1999); O que fica do que escapa (Edição Independente/2000); Fresta e Fiação (Edição Independente/2004). Em 2001 lançou pela Editora Escuta o livro Linha de Horizonte – por uma poética do ato criador. 

Tem participado de exposições coletivas e individuais desde 1981 no Brasil e no exterior. Em 1996 foi convidada para ser uma das 4 artistas representando o Brasil na mostra Arte através dos oceanos, Copenhague, Dinamarca. Também participou de Sombras e Espelhos no MAM-SP e CCBB-RJ, curadoria de Aracy Amaral em 1994 e 1995. Em 1996 participou de 15 Artistas Brasileiros, curadoria de Tadeu Chiarelli, no MAM-SP E RJ. Em 1998 participou da exposição Arte Brasileira sobre Papel, organizada pelo MAM/SP com os trabalhos de acervo, curadoria de Tadeu Chiarelli. Também realizou em 2002 uma exposição individual como artista convidada no Centro Cultural São Paulo.Em 2003 participou da mostra Tecendo o Visível no Instituto Tomie Ohtake, curadoria de Agnaldo Farias. Em 2003 realizou as individuais Campo Dobrado no Museu de Arte de Santa Catarina / Florianópolis e Declive na Haim Chanin Fine Arts em Nova York / EUA. Tem participado de Feiras Internacionais (Arco, Miami Basel) representada pela Marília Razuk Galeria de Arte, onde realizou a individualÂngulos, em 2004. 

Em 1999, conjuntamente com o artista Claudio Cretti, realizou o cenário para um pocket ópera Tupi tu és, dirigido por Ivaldo Bertazzo no SESC-Ipiranga e Teatro Municipal. Realizou em 2004 a cenografia para a peça Prova Contrária, dramaturgia de Fernando Bonassi e direção de Débora Dubois. SESC-Belenzinho. 

Em 1990 foi contemplada com a Bolsa para Artes Visuais/FIAT, resultando na exposição Viés, realizada no MASP. Em 1993 foi contemplada com uma bolsa como artista residente pelo MAC-USP, para desenvolver um trabalho por 2 meses, em Vermont Studio Center,USA. Em 1999 foi contemplada com uma bolsa dentro de um programa de pesquisa pela Instituição The Rockefeller Foundation como artista pesquisadora residente em Bellagio Center, Itália (maio/1999). Em 2002 foi contemplada com a Bolsa Vitae de Artes / Fundação Vitae. Foi contemplada pelo APCA (Associação Paulista dos Críricos de Arte) categoria Tridimensional do ano de 2002. Em 2004 ganhou Prêmio Revelação de Fotografia/Porto Seguro. Em 2007 é contemplada com Bolsa como artista residente no The Banf Centre/Canadá. 

Tem trabalhos em coleções públicas: Pinacoteca do Estado de São Paulo; Fundação Padre Anchieta/São Paulo; Câmara Municipal de Piracicaba; Museu de Arte de Brasília; Museu de Arte Moderna -São Paulo; Instituto Cultural Itaú – SP; Secretaria Municipal da Cultura – Santos; Museu de Arte de Santa Catarina, Museu de Arte Moderna da Bahia; Dragão do Mar- Fortaleza; CCSP; Porto Seguro Fotografia; De Paw Institute/Indiana; Prefeitura de Nurnberg/Alemanha. 

Em 2003 realizou as individuais Campo Dobrado no Museu de Arte de Santa Catarina / Florianópolis e Declive na Haim Chanin Fine Arts em Nova York / EUA. Tem participado de Feiras Internacionais (Arco, Miami Basel) representada pela Marília Razuk Galeria de Arte, onde realizou a individual Ângulos, em 2004. Em 2005 realizou a exposição individual Manhã como artista convidada do Paço das Artes. Em 2007 realizou exposição individual na Estação Pinacoteca do Estado de São Paulo, na Galeria de Marília Razuk e sala Especial de Fotografia/Prêmio Porto Seguro de Fotografia. 

Atualmente tem ministrado cursos livres e de aprofundamento para professores no Instituto Tomie Ohtake, Collégio das Artes e Fullframe Escola de Fotografia / Galeria Virgílio.

Source: http://www.edithderdyk.com.br/portu/biografia.asp

Fragmento exposição Arquivo Vivo curadoria Priscila Arantes Paço das Artes 2013

Na Gaveta detalhe 2014 Central Galeria