Aphorisms | Aforismos

Though I once said that my creative work made me “a poet,” I now speak of myself as an “artist and writer,” wishing there were in English a single term that combined the two[…]the principal problem with person-centered epithets such as “painter” and “writer” is that they become not descriptions but jails[…]for it should be possible for any of us to make poems or photographs or music, as we wish, and, better yet, to have these works regarded plainly, as “poems” or “photographs” or “music.

Richard Kostelanetz, “Art Autobiography,” in Kostelanetz, ed., Visual Literature Criticism: A New Collection. Carbondale: Southern Illinois University Press, 1979, 177-178.

Embora eu tenha dito uma vez que meu trabalho criativo me fez "um poeta", agora eu falo de mim mesmo como um “artista e escritor", desejando que houvesse em inglês um único termo que combinasse os dois [...] o principal problema com epítetos centrados na pessoa, como "pintor" e "escritor" é que eles não se tornam descrições, mas prisões [...] por isso deveria ser possível para qualquer um de nós fazer poemas ou fotografias ou música, conforme desejarmos, e, melhor ainda, de ter essas obras consideradas claramente como "poemas" ou "fotografias" ou "música”.

Tradução: Marcelo Reis de Mello

Overprint achieves a state of being without being-in, a living without life, motion without definition, writing without the written. In the text on text that avoids identity and pulverizes all relations into totality, that cannot be read but seen, Bissett is beyond all specific poetics. Lack of aim…lack of definition, lack of meaning…simply the need to expel…waste produce…energy…excess…an economy of total and irreducible non-conservation.

Steve McCaffery, “Bill Bisset: A Writing Outside Writing,” in North of Intention, 104.

A impressão sobreposta atinge a condição de ser sem ser-em, um vivente sem vida, movimento sem defininição, escrever sem a escrita. No texto sobre texto que evita identidade e pulveriza todas as relações na totalidade, que não pode ser lido e sim visto, Bissett está além de todas as poéticas específicas. Falta de pontaria... falta de definição, falta de sentido... apenas a necessidade de expelir... produto de resíduos... energia... excesso... uma economia de total e irredutível não-conservação.

Tradução: Marcelo Reis de Mello

(…) the letter not as phoneme but as ink, and to further insist on that materiality, inevitably contest the status of language as a bearer of uncontaminated meaning(s). Ink, as the amorphous liquid that the word and letter shape into visible meaning, is shown to be of the order of a powerful, anti-semantic force, perhaps the “instinctual” linguistic “unconscious” repressed within writing.

Steve McCaffery, “Bill Bisset: A Writing Outside Writing,” in North of Intention, 103.

(...) a letra não como fonema mas como tinta, para adiante insistir que a materialidade, inevitavelmente, contesta o estatuto de língua como portadora de significado(s) não contaminado(s). A tinta, enquanto líquido amorfo que a palavra e a letra transformam em sentido visível, revela pertencer a uma força poderosa e anti-semântica, talvez a “instintiva” linguística "inconsciente" reprimida no interior da escrita.

Tradução: Marcelo Reis de Mello

Reencontramos assim, para finalizar, a questão da relação entre a imagem e o texto: no entrecruzamento desses dois objetos, onde estamos, tecnologicamente e teoricamente, hoje, com relação a esse problema que, após Benveniste, Barthes designou com o termo “significância”?

Em que pé estamos com relação a Barthes? Barthes era tanto linguista dos textos como teórico das imagens, ou de preferência não era nem um nem outro (quer dizer, nem linguista, nem semiólogo, nem analista) mas antes de tudo o esboço contraditório de gestos que tentamos hoje reencontrar, e que ele soube agenciar à sua maneira talvez única (...)

PÊCHEUX, Michel. Papel da Memória (palestra). In: Papel da Memória. Pierre Achard [et al]; Tradução e introdução José Horta Nunes. Pontes: Campinas, 1999.