Ana Hatherly

Ana Hatherly

Ana Hatherly

O meu trabalho começa com a escrita – sou um escritor que deriva para as artes visuais através da experimentação com a palavra. A Poesia Concreta foi um estádio necessário, mas mais importante foi o estudo da escrita, impressa e manuscrita, especialmente a arcaica, chinesa e europeia. O meu trabalho começa também com a pintura – sou um pintor que deriva para a literatura através dum processo de consciencialização dos laços que unem todas as artes, particularmente na nossa sociedade. Esta consciencialização tornou-se mais importante quando comecei a utilizar também a fotografia e o cinema como meio de investigar os processos de expressão e comunicação. O desenho representa uma parte essencial do meu trabalho, aquela que eu mais extensivamente pratiquei, depois da escrita literária. Em suma, posso dizer que o meu trabalho diz respeito a uma investigação do idioma artístico, particularmente do ponto de vista da representação – mental e visual”

Ana Hatherly, Obra Visual 1960 -1990, Centro de Arte Moderna Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa

One of Portugal’s leading artists and poets and has exhibited extensively around the world. Her work is based on continuous movement between the drawn and the written, which results sometimes in abstract calligraphic works and sometimes in visual poetry. She studied film in Britain in early 1970s. Ana Hatherly represented Portugal at the Venice Biennale in 1975 with her film on the posters and graffiti of the Portuguese revolution.​

Hatherly’s career as a writer began in 1958 with the publication of Um Ritmo Perdido, a collection of poems. Her interest in the visual aspects of poetry is apparent even in these early works. She would continue to explore and develop this interest, eventually successfully exploring strictly visual mediums of art, such as painting. She has held showcases of her visual works, some of which are still on display at several museums of Portuguese Contemporary Art. She has also made several films and is an accomplished translator.

Hatherly has published over twenty collections of her poetry, which have been translated not only into many European languages, but also into Japanese and Chinese. 

Natural do Porto, Ana Hatherly (1929-2015), licenciada em Filologia Germânica pela Universidade Clássica de Lisboa, diplomada em técnicas cinematográficas pela International London Film School e doutorada em Estudos Hispânicos do Século de Ouro pela Universidade da Califórnia, em Berkeley. Entre 1981 e 1999, foi professora da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. A sua vasta obra inclui poesia, ficção, ensaio, tradução, performance, cinema e artes plásticas, estando representada no Centro de Arte Moderna da Fundação Gulbenkian e no Museu de Arte Contemporânea de Serralves. Dirigiu as revistas Claro-Escuro (1988-1991) e Incidências (1997-1999). Parte do seu espólio encontra-se depositado no Arquivo de Cultura Portuguesa Contemporânea da Biblioteca Nacional.

Ana Hatherly integrou o grupo da revista Poesia Experimental (1964, 1966), sendo autora ou co-autora de alguns dos textos programáticos do movimento. A sua obra evidencia a assimilação do experimentalismo internacional característico da década de 1960, designadamente através da espacialização da palavra e da exploração caligráfica da relação entre desenho e escrita, mas também uma grande versatilidade de géneros, formas e estilos. Uma intensa auto-reflexividade é visível em ciclos de permutações paródicas, no desenvolvimento de formas como o poema-ensaio e a micro-narrativa, e na desconstrução de uma subjectividade feminizada. A atenção à dimensão plástica e gestual da escrita está patente quer em séries recolhidas em livro, quer nos desenhos e (des)colagens, quer ainda nos filmes e acções poéticas que realizou. A sua investigação académica contribuiu decisivamente para uma revisão da leitura da poesia barroca em Portugal e para o conhecimento da história da poesia visual.

Obras principais > O mestre (Arcádia, 1963), Sigma (1965), Eros frenético (Moraes, 1968), Anagramas (Galeria Quadrante, 1969), 39 tisanas (1969),Anagramático (1970), Mapas da Imaginação e da Memória (1973), O Escritor, 1967-1972 (1975), A Reinvenção da Leitura: Breve Ensaio Crítico seguido de 19 Textos Visuais (1975), Poesia, 1958-1978 (1980), O Cisne Intacto: Outras Metáforas - Notas para uma Teoria do Poema-Ensaio (1983), Escrita Natural (1988),Volúpsia (Quimera, 1994), 351 tisanas (1997), A idade da escrita (Tema, 1998), Rilkeana (Assírio & Alvim, 1999), Itinerários (Quasi, 2003), O pavão negro(Assírio & Alvim, 2003), A mão inteligente (Quimera, 2004), Fibrilações (Quimera, 2005), 463 tisanas (Quimera, 2006), A neo-Penélope (& etc, 2007). No campo da história e da teoria da poesia visual, publicou PO.EX: Textos Teóricos e Documentos da Poesia Experimental Portuguesa (1981; com E. M. de Melo e Castro) e A Experiência do Prodígio: Bases Teóricas e Antologia de Textos Visuais Portugueses dos Séculos XVII e XVIII (1983). A sua obra plástica foi objecto de uma exposição retrospectiva no Centro de Arte Moderna da Fundação Calouste Gulbenkian: Ana Hatherly: Obra Visual, 1960-1990 (1992), tendo duas Antologias publicadas: Um calculador de improbabilidades (Quimera, 2001), Interfaces do olhar: uma antologia crítica, uma antologia poética (Roma Editora, 2004). É também autora dos filmes The Thought Fox (Londres, 1972), Spaghetti Time (Londres, 1972), C.S.S. (Cut-Outs, Silk, Sand) (Londres, 1974), Revolução (Lisboa, 1975), O Que É A Ciência (Lisboa, 1976), Música Negativa (Lisboa, 1977) e Rotura (Lisboa, 1977).

Biografia escrita por Manuel Portela

Source: http://po-ex.net/